A trajetória de Zé Dirceu acompanha as principais lutas democráticas do nosso país. Nascido em Passa Quatro (MG), desembarcou na metrópole paulista em 1961, aos 15 anos. Trabalhou como office boy, vivenciou a realidade da classe trabalhadora e, ao ingressar na Faculdade de Direito da PUC-SP em 1965, assumiu a defesa da liberdade frente ao regime militar.
Zé é uma liderança que surgiu cedo. Nas ruas e nas assembleias, diante do aparato repressivo das forças militares e de milícias de direita, revelou seu perfil na vida pública: firmeza e visão estratégica na defesa da soberania e da democracia nacional. Foi presidente do Centro Acadêmico 22 de Agosto e da União Estadual dos Estudantes (UEE-SP). Liderou resistências no marco histórico da Batalha da Maria Antônia e pagou o preço de suas convicções com a prisão durante o 30º Congresso da UNE, em Ibiúna, no ano de 1968.
Sobreviveu aos porões do DEOPS e foi banido do país na histórica troca de 15 presos políticos pelo embaixador norte-americano. A chegada à Cuba, contudo, foi triunfal: recebido como revolucionário, foi acolhido pessoalmente por Fidel Castro, que lhe impressionou pelo carisma, juventude e profundo interesse pelo Brasil. Naquele que era o primeiro território livre da América, encontrou a solidariedade, o afeto e a base de apoio para se preparar técnica e intelectualmente para continuar o combate.
O chamado do Brasil, contudo, sempre falou mais alto. Após cirurgias plásticas em Havana para alterar o rosto e proteger sua identidade, voltou clandestinamente ao país na década de 1970.